
“Era o encontro do eu com o eu. A solidão é um luxo.”
Clarice Lispector
in, Um sopro de vida (Pulsações).
(quando, de tanto doermos nos tornamos “a dor”
viramos o inverso. do ser. da certeza. o cárcere.
o retorcer dos cílios. como um pano úmido. ao peito. borrado.
ainda assim, dói. doo.
l. às duas.)
Eu não sabia explicar nós doisEla mais eu, por que eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando
Pela mão.
Íamos tontos os dois assim ao léu
Ríamos, chorávamos sem razão
Hoje, lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu.
Chico Buarque.
“O amor é sacrifício, o amor é sacerdócio. Amar é iluminar a dor, como um missionário.
Chico Buarque.
“Da língua que não estima, ele mastigará as palavras bastantes ao seu ofício e ao dia-a-dia, sempre as mesmas palavras, nem uma a mais. E mesmo essas, haverá de esquecer no fim da vida, para voltar ao vocabulário da infância. Assim como se esquece o nome de pessoas próximas, quando a memória começa a perder água, como uma piscina se esvazia aos poucos, como se esquece o dia de ontem e se retêm as lembranças mais profundas.
Chico Buarque, Budapeste.
A,
ruim mesmo é a sensação de não ter pra onde voltar…
L.
“Em cada despedida existe a imagem da morte.”
“De algum secreto lugar me vem a força para erguer a xícara, acender o cigarro, até sorrir quando alguém me diz: ‘Você hoje está com a cara ótima’, quando penso se não doeria menos jogar-me de um décimo primeiro andar.
Lya Luft.
“Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança pra chorar o meu perdão, qual o quê! Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida pra agradar meu coração. E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado, ainda quis me aborrecer? Qual o quê! Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato. E abro os meus braços pra você.
Chico Buarque.