
“Era o encontro do eu com o eu. A solidão é um luxo.”
in, Um sopro de vida (Pulsações).

“Era o encontro do eu com o eu. A solidão é um luxo.”
(quando, de tanto doermos nos tornamos “a dor”
viramos o inverso. do ser. da certeza. o cárcere.
o retorcer dos cílios. como um pano úmido. ao peito. borrado.
ainda assim, dói. doo.
l. às duas.)
vontade de correr na tua rua, bater na tua porta, estragar teu sono com minhas olheiras nostálgicas, palavras inúteis e românticas ao extremo, riscar teus quadros, arranhar teus discos e tuas paredes, maldizendo minha loucura tão sóbria e afagar tuas feridas nas minhas, cortar meus pulsos diante dos teus olhos e cair em tua retina. fazer da tua morada o meu precipício. vontade de beber dos teus lábios pra compensar os cafés mornos de que me embebedo longe do teu domínio barato e sacana. vontade de rabiscar tua pele com meu jeito traçado e torto, fazer na minha caligrafia a sua partida, comigo. como numa constelação. sermos, entre tantos outros, e ao mesmo tempo apenas um. somente. nós.
ps.: a chuva e hora não são motivos, baby.
(luíza macedo, sempre sua, doída e inconstante; às 2. II)
O meu peito é feito das mesmas raízes que o seu. Vezenquando a noite carrega o peso e obrigação de deixar-nos, assim, sem espaço ou vagos, errantes demais, não tem jeito. Cortada a epiderme, suicidas à mostra os espinhos e pétalas, ausentes ou não, no cobrir, trincados. No pintar em nós, rabiscas e arranca-me as migalhas. Borro sob à sombra de teus cadernos, tua pele, e carne… Meu amor, somos apenas um - enraizados, em vários.
L.M. (sempre sua, doída e inconstante; às 2.)